fotos: Mercedes-benz/divulgação

Nova tela central de 12,3" é integrada ao painel de instrumentos

Rafaela Borges​​​​​​​ rafaela.borges@estadao.com 

Estrela fica sob a grade nas versões mais caras. Os faróis do tipo full-LEDs são de série.

Novo Classe E surpreende por avanço autônomo e peca pelo visual sem ousadia

Contraditória é a melhor definição para a 10ª geração do Mercedes-Benz Classe E, que está chegando ao País nesta semana. Embora nenhum modelo vendido aqui seja tão avançado em termos de direção semiautônoma, seu visual não acompanha a modernidade tecnológica. O sedã está mais conservador até que seu predecessor. Por ora há apenas a versão 250, com o mesmo motor 2.0 turbo de 211 cv da geração anterior – ponto mais fraco desse alemão. Quem se dispõe a pagar R$ 309.900 por um carro, certamente espera bem mais que o lento desempenho entregue pelo Mercedes. 

Mesmo com bons 35,7 mkgf de torque a 1.200 rpm e o novo câmbio automático de nove marchas, o modelo demora a responder aos comandos do acelerador. Isso fica mais claro na hora de retomar velocidade.

A transmissão, com marchas curtas, melhorou um pouco o fôlego do E 250, quando comparado ao do sedã anterior. Mais que isso, ajuda a reduzir os níveis de ruído e consumo de combustível. Nessa missão, outro bom auxílio são os 65 kg a menos, graças à utilização de alumínio e aços de alta resistência.

A dirigibilidade é ótima, principalmente no modo de condução esportivo, que deixa a direção mais dura sem comprometer o conforto. As respostas são diretas e a suspensão trabalha de forma eficiente para manter a carroceria firme. A versão de entrada, Avantgarde, traz o logotipo da marca na grade frontal. O símbolo fica sobre o capô na Exclusive, que tem tabela de R$ 319.900 e traz acabamento de madeira, e na Exclusive Launch Edition (R$ 325.900). A série de lançamento, limitada a 60 unidades, se diferencia pela iluminação interna personalizável, com 64 opções de cores. Todos os E 250 têm faróis full-LEDs. Na traseira, falta ousadia ao visual, principalmente se comparada à de rivais como Audi A6, BMW Série 5 e Jaguar XF. A cabine evoluiu muito e, além de ser mais espaçosa – o sedã ganhou 6,5 centímetros de entre-eixos –, a tela que lembrava um tablet mal adaptado deu lugar a um monitor de 12,3 polegadas integrado ao quadro de instrumentos. Ambos podem ser comandados por meio de teclas sensíveis ao toque no volante e console central.

QUASE AUTÔNOMO


O Classe E pode rodar, conforme as condições, sem interferência do motorista. Para isso usa navegador GPS, sete radares, câmera com alcance de 500 metros à frente e várias tecnologias capazes de fazer frenagens de emergência e detectar pedestres, outros carros e objetos. O sedã pode acompanhar o veículo da frente do anda e para do trânsito a até 210 km/h sozinho. Em vias com faixas bem demarcadas, o motorista pode até soltar o volante. Nesse caso, a cada 30 segundos é preciso tocar a direção. Caso contrário o Classe E começará a emitir sinais sonoros. Se não houver reação, o sistema reduz a velocidade do sedã automaticamente até a parada total, por “entender” que o condutor pode estar inconsciente. Há ainda um recurso capaz de estacionar o carro em vagas paralelas e perpendiculares (virado para frente ou para trás) sem intervenção do motorista. Versões mais potentes, como a esportiva E 63 AMG, virão ao País no início do ano que vem.