BMW X5 e Mercedes-Benz GLE fazem duelo de jipões com motor V6 a diesel e tabela em torno dos R$ 400 mil

Igor Macário

igor.macario@estadao.com 

Visual desses alemães é conservador, mas as linhas do GLE, que não mudou na reestilização recente, são mais retas que as do X5

Grandalhões

LUXUOSOS

Quase todo mundo tem um amigo alto, grandão, com coração enorme e que, quando sorri, todos devolvem o sorriso. Essa foi a imagem que o GLE me passou logo nos primeiros quilômetros. O Mercedes não é dos carros mais rápidos e precisos, 

mas seu jeitão relaxado e o ar de “tanque de guerra”, pesado e massivo quando se desloca, acaba tranquilizando quem está ao volante. Ele passa sensação de segurança e que pode passar por cima do que vier à frente, tal qual o amigo quando se zanga. Mas só simpatia e bravura não fazem um bom veículo e o X5 mostrou que tem um conjunto mais completo. Além de não ficar muito atrás do rival no que se refere à pompa que é rodar com um jipão de mais de R$ 400 mil, o BMW é mais esperto e gostoso de guiar em uma gama maior de situações, inclusive em algumas nas quais o GLE parece se sentir algo desconfortável.

X5 anda mais, mas luxo é maior no GLE

​​​​​​​Com a mesma potência e mais torque no motor V6, o desempenho do GLE é bem mais contido que o do X5. O Mercedes está longe de ser lento, mas parece ser mais pesado, com alguma reticência para ganhar velocidade, além de ser menos ágil principalmente no tráfego urbano.


Nesse cenário, o câmbio de oito marchas ajuda muito o BMW – o do Mercedes tem nove velocidades. E, apesar de ser mais barulhento, o X5 tem maior agilidade e roda de forma mais vigorosa, apesar das duas toneladas de peso e quase cinco metros de comprimento. A direção com relação mais direta também faz diferença na hora de “navegar” o grandalhão da BMW no trânsito urbano. As arrancadas são decididas e o X5 devora quilômetros de asfalto sem esforço aparente.


O GLE oferece opção de modo esportivo, que deixa suas reações ligeiramente mais prontas e libera o V6 para mostrar sua força. Mas o Mercedes revela melhores qualidades quando é guiado com parcimônia.


O BMW mostra mais firmeza ao contornar curvas rápidas, graças aos ajustes da suspensão, que controla bem a movimentação da carroceria. O GLE também não dará sustos no motorista, mas balança mais em alta velocidade e pede ritmos menos animados em estrada sinuosa, por exemplo.

Em contrapartida, o Mercedes oferece rodar extremamente suave. A suspensão a ar isola perfeitamente a cabine das irregularidades do asfalto e contribui para a sensação de maior conforto a bordo. Há até opções de regulagens que deixam o GLE mais firme ou alto para encarar terrenos difíceis.


Ambos são espaçosos e levam cinco ocupantes com conforto. Das versões à venda no País, apenas o BMW pode acomodar sete pessoas, mas essa opção acrescenta R$ 9 mil à tabela.

Sistema multimídia do X5 é mais simples de usar do que o do rival

Mercedes supera BMW no acabamento interno, mais refinado.

Eles são grandes, espaçosos e caros, mas entregam bastante em relação ao que custam. Mercedes-Benz GLE e BMW X5 são concorrentes desde que foram lançados e agora se enfrentam nas versões de entrada com motor V6 a diesel de suas mais recentes gerações. 


O GLE é a nova encarnação do conhecido ML, que ganhou nome novo após uma sutil reestilização, e custa R$ 405.900 na versão 350D Sport. O X5 xDrive30d começa em R$ 399.950, mas chega a R$ 408.950 quando recebe sistema de entretenimento traseiro, item de série no rival.


Mas, mesmo sendo mais caro, o X5 venceu este duelo com relativa folga. O GLE é excelente, mas a dirigibilidade superior e os preços substancialmente menores das peças de reposição conferiram uma boa vantagem ao modelo da BMW.


Os dois jipões vêm da Alemanha com motores V6 de 3 litros e 258 cv (veja como eles andam na próxima página). A equivalência continua na lista de itens de série, que inclui ar-condicionado de quatro zonas, telas para os ocupantes de trás e teto solar (panorâmico no X5).


O BMW vem com sistema multimídia muito mais simples de usar que o Mercedes. Mesmo sem ter tela sensível ao toque, é fácil entender as funções e realizar tarefas como parear o celular pelo Bluetooth e inserir endereços no GPS. O dispositivo do GLE tem as mesmas funcionalidades, mas é bem mais complexo de operar.

Por outro lado, o Mercedes dá um banho no X5 no quesito luxo, por trazer materiais de melhor qualidade na cabine. Além do aspecto mais pobre, o visual do painel do BMW não difere muito do de outros modelos mais baratos da marca.


Pouco se ouve o motor do GLE trabalhar. Isso é perceptível logo ao dar a partida e também com o jipão em movimento.